Apresentação
Com o caráter interdisciplinar, o projeto “Novas tecnologias e a diversidade do espaço
geográfico atual de Porto Seguro” visa o despertar dos discentes para a
importância das novas tecnologias na pesquisa, e a reflexão crítica sobre a
diversidade do espaço geográfico atual de Porto Seguro.
Justificativa
O Colégio Municipal de Porto
Seguro está localizado no centro da cidade, e recebe solicitações para
matriculas de educandos que moram em vários distritos e bairros de Porto Seguro,
incluído alunos de aldeias indígenas e zonas rurais. Em consequência, existe uma
diversidade cultural, econômica e social dentro do mesmo espaço físico.
Portanto, para
tornar o ensino de geografia mais significativo é necessário contextualizar a
teoria e prática. Pérez Gómes, citado por Lerner (1995, p.93): faz uma ressalva
ao sentido do termo ensino significativo:
[...] Nem na
realidade nem na mente existem conteúdos sem estrutura, nem estruturas vazias
de conteúdos. Como afirma Piaget, as estruturas são construídas mediante a
estruturação do real. Portanto, para ser significativa e provocar
desenvolvimento, a aprendizagem requer que se trabalhe com conteúdos relevantes
[...]”
Neste
sentido, considero a temática sobre os espaços geográficos atuais de Porto
Seguro e o uso de aparelhos e softwares que estão no cotidiano dos educandos, uma
abordagem significativa, pois busca informações sobre o lugar onde os alunos
moram, “porque é no território que a população constrói a sua identidade e os
seus sentimentos de pertencimento onde expressa seu patrimônio cultural e
define o seu destino” (Carvalho, 2008). Além disso, é válido ressaltar a necessidade das aulas de campo, porque "geografia de
gabinete" só existe para o compilador de dados, como foi dito por Francis
Ruellan ainda em 1944. No seu entender, para o pesquisador, o gabinete
serve apenas de
complemento da investigação no campo que é a fonte viva de toda observação e
interpretação nova. Desde a origem da geografia moderna, todos os grandes
mestres não seguiram outro método, o único em verdade que pode libertar a
produção geográfica do trabalho livresco e do vão palavrório sem base
científica e sem nenhuma relação com a vida do Globo. (p.45)
É
válido informar que o Projeto tem um caráter interdisciplinar, porque o
professor ao desenvolver as ações em sua disciplina específica precisará de
informações que no currículo tradicional é pertinente a outra disciplina.
Segundo Ivani Fazenda a introdução da interdisciplinaridade implica simultaneamente
uma transformação profunda da pedagogia, um novo tipo de formação de
professores e um novo jeito de ensinar:
Passa-se
de uma relação pedagógica baseada na transmissão do saber de uma disciplina ou
matéria, que se estabelece segundo um modelo hierárquico linear, a uma relação
pedagógica dialógica na qual a posição de um é a posição de todos. Nesses
termos, o professor passa a ser o atuante, o crítico, o animador por
excelência. (FAZENDA, 1979)
Nesse
contexto, as escolas do ensino fundamental devem dialogar com as transformações
do século XXI, visto que, as informações e conteúdos da humanidade estão
armazenados em uma rede de fácil acesso a todos, basta conectar um computador,
tablet ou celular a internet, e pesquisar os diversos assuntos. Por isso, a
educação do futuro deve organizar o processo de ensino e aprendizagem em quatro
pilares fundamentais para humanização na nova sociedade da informação.
Primeiramente, é preciso aprender a
conhecer, pois se constitui em meio e finalidade para a vida, segundo Delors
(1998), meio, porque se pretende que cada um aprenda a compreender o mundo que
o rodeia, pelo menos na medida em que isso lhe é necessário para viver
dignamente, para desenvolver as suas capacidades profissionais, para comunicar.
Finalidade, porque seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer, de
descobrir.
Outro pilar, é aprender a fazer,
para assim, poder agir sobre o meio que o envolve. Além disso, aprender a fazer
não pode, pois, continuar a ter o significado simples de preparar alguém para
uma tarefa material bem determinada, para fazê-lo participar no fabrico de
alguma coisa. Como consequência, as aprendizagens devem evoluir e não podem
mais ser consideradas como simples transmissão de práticas mais ou menos
rotineiras. (DELORS, 1998).
O terceiro pilar é, aprender a viver
juntos, a fim de associar-se e colaborar com o desenvolvimento da sociedade, já
que a educação deve utilizar duas vias complementares. Num primeiro nível, e ao
longo de toda a vida, a participação em projetos comuns, que parece ser um
método eficaz para evitar ou resolver conflitos latentes. (DELORS, 1998).
E finalmente, o último pilar é,
aprender a ser, caminho que reuni os três precedentes. Para melhor desenvolver
a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de
autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não
negligenciar na educação nenhuma das potencialidades de cada indivíduo:
memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se.
(DELORS, 1998).
Por
isso, nota-se que, a educação do século XXI não é constituída apenas de
multiplas formas divertidas ou tecnológicas para entreter os educandos que
ficam passivos no processo de ensino e aprendizagem, e sim, um comportamento
didático e pedagógico diferenciado do professor com o educando, valorizando o
contexto social, o desenvolvimento intelectual, as aptidões e a interrelação do
discente com a realidade local e planetária. Segundo Morin (2000) “a educação
deve mostrar que não há conhecimento que não esteja, em algum grau, ameaçado
pelo erro e pela ilusão.” Porque
O
conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. Todas as
percepções são, ao mesmo tempo, traduções e reconstruções cerebrais com base em
estímulos ou sinais captados e codificados pelos sentidos. Daí resultam,
sabemos bem, os inúmeros erros de percepção que nos vêm de nosso sentido mais
confiável, o da visão. Aos erro de percepção acrescenta-se o erro intelectual.
O conhecimento, sob forma de palavra, de idéia, de teoria, é o fruto de uma
tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e, por conseguinte,
está sujeito ao erro. Este conhecimento, comporta a interpretação, o que
introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor, de sua visão do mundo
e de seus princípios de conhecimento. Daí os numerosos erros de concepção e de
ideias que sobrevêm a despeito de nossos controles racionais. (MORIN, 2000).
Portanto, para a educação do
futuro tornar-se significativa deve utilizar os recursos tecnológicos e
contextualizar a realidade local com a realidade planetária, além de favorecer
a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de
forma correlata, estimular o uso total da inteligência geral. Este uso total
pede o livre exercício da curiosidade, que com frequência a instrução extingue
e que, ao contrário, se trata de estimular, ou, caso esteja adormecida, de
despertar. (MORIN, 2000). O desenvolvimento da inteligência geral dos
indivíduos “deve ao mesmo tempo utilizar os conhecimentos existentes, superar
as separações das ciências em disciplinas hiper-especializadas e identificar a
falsa racionalidade.” (MORIN, 2000).
Objetivo Geral
·
Pesquisar sobre a diversidade do espaço
geográfico atual de Porto Seguro, utilizando as novas tecnologias, para assim,
os educandos relacionarem teoria, prática e o novo mundo da informação.
Objetivos
Específicos
·
Despertar no educando o interesse pela pesquisa,
leitura e escrita;
·
Relacionar as novas tecnologias ao processo de
ensino-aprendizagem;
·
Dinamizar as aulas no Ensino Fundamental do 6º
ao 9º ano;
·
Trabalhar os conteúdos das disciplinas de forma
a relacionar teoria e prática;
·
Realizar a contextualização dos conteúdos;
·
Relacionar Território e identidade, para assim,
verificar o sentimento dos educandos quanto ao seu pertencimento ao lugar onde
moram;
·
Possibilitar a Interdisciplinaridade entre
várias disciplinas do currículo escolar;
·
Proporcionar aos educandos a possibilidade de
reconhecerem a si mesmos e aos outros como agentes de transformações do espaço
em suas várias escalas, através de ações que favoreça o contato com a sua
realidade;
·
Promover a valorização sociocultural em suas
várias dimensões: local, regional e global, respeitando a pluralidade cultural;
·
Reconhecer e dominar o espaço geográfico de sua
vivência através das aulas de campo;
·
Desenvolver atividades sócio-culturais e
educativas com o envolvimento da comunidade escolar e comunidade, visando
despertar de uma consciência de cidadania coletiva;
·
Envolver pessoas e instituições que promovem
ações sociais sobre a cidadania, meio ambiente, cultura e arte.
Metodologia
Tendo como pressuposto teórico
metodológico as novas diretrizes curriculares, as ações deste projeto visam à
realização de atividades que possibilitam o desenvolvimento de competências e
habilidades básicas nas diversas disciplinas. As ações objetivam fazer, de modo
coerente, a relação entre teoria e prática. Para isto, utilizar-se-á a pesquisa
qualitativa. Segundo Minayo (1995, p.21-22):
a pesquisa qualitativa responde a questões
muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de
realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo
de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que
corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos
fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.
Logo,
para ampliar as orientações aos educandos, será imprescindível a participação
de todas as disciplinas, porque os alunos serão divididos em grupos de acordo
com os bairros onde moram e/ou outros espaços geográficos de interesse, e
solicitado uma pesquisa sobre os respectivos bairros, destacando o início do
povoamento, os possíveis biomas ainda existentes no local, as relações
históricas, sociais, econômicas, culturais e a infraestrutura.
Para
os alunos obterem essas informações, será preciso que os educandos com o
auxílio dos professores, realizem uma pesquisa bibliográfica, principalmente,
autores locais que escreveram sobre Porto Seguro, documentos oficiais das
secretarias municipais, e também selecionar informações na internet sobre o
tema proposto, fazer entrevistas com moradores antigos de cada bairro,
fotografar e/ou filmar os bairros.
Avaliação
O Processo avaliativo do
projeto será permanente, pois a avaliação visa verificar se as competências e
habilidades do educando foram desenvolvidas. Ou seja
um processo pelo qual
se procura identificar, aferir, investigar e analisar as modificações do
comportamento e rendimento do aluno, do educador, do sistema, confirmando se a
construção do conhecimento se processou, seja este teórico (mental) ou prático.
(SANT’ANNA, 1998, p.29, 30).
Para isto, os critérios da
avaliação do projeto serão a participação, colaboração, criatividade,
organização, originalidade e o interesse dos alunos do ensino fundamental do 6º
ao 9º ano no desenvolvimento das pesquisas propostas. Representando dessa forma
uma avaliação integral do aluno.
Os resultados esperados são o
reconhecimento do espaço geográfico de Porto Seguro e a relação com a teoria e
prática por parte dos educandos, para assim, perceber que o território em uso
foi formado por um processo histórico que envolve economia, sociedade,
política, cultura e identidade.
Considerações
Finais
Este projeto tem o interesse
de contribuir para um processo de ensino-aprendizagem interdisciplinar, pois o
conhecimento real não é dividido em diversas disciplinas, pois ele é amplo e
indivisível, além disso, o contato dos educandos com a teoria e prática
possibilita uma aprendizagem mais significativa. Com o êxito dessa primeira
experiência, tenho a expectativa de continuidade do projeto, e também atrair
mais professores para construir novas propostas inovadoras.
Referências
CARVALHO,
Lúcia. A cultura como dimensão
estruturante das políticas públicas.
In:http://www.secult.220i.com.br/conteudo/programa/sistema_estadual_cultura/downloads
DELORS,
Jacques (Org). Educação: um tesouro a
descobrir. São Paulo: Cortez/Brasília:
MEC: UNESC, 1998.
FAZENDA,
Ivani C. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro:
efetividade ou ideologia. São Paulo: Loyola, 1979.
LERNER, Delia. O ensino e o
aprendizado escolar: argumentos contra a falsa oposição. In: CASTORINA,
José A.; FERREIRO, Emilia; LERNER, Délia; OLIVEIRA, Marta Kohl de. Piaget e
Vygotsky: novas contribuições para o debate. São Paulo, Ática, São Paulo, 1995.
p.85-139.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O Desafio do Conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São
Paulo, Rio de Janeiro: HUCITEC/ABRASCO, 1995.
MORIN,
Edgar. Os Sete Saberes Necessários à
Educação do Futuro. 2ed. São Paulo: Cortez: Brasília- DF: UNESCO, 2000.
RUELLAN, Francis. O trabalho de campo nas pesquisas originais de Geografia Regional.Revista
Brasileira de Geografia, jan./mar. 1944, p.37-45.
SANT’ANNA, Ilza Martins. Por
que avaliar?: Como avaliar?: Critérios e instrumentos.3ª Edição,
Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
Nenhum comentário:
Postar um comentário