domingo, 22 de maio de 2016


Apresentação

 

            Com o caráter interdisciplinar, o projeto “Novas tecnologias e a diversidade do espaço geográfico atual de Porto Seguro” visa o despertar dos discentes para a importância das novas tecnologias na pesquisa, e a reflexão crítica sobre a diversidade do espaço geográfico atual de Porto Seguro.

 

 

 

Justificativa

 

O Colégio Municipal de Porto Seguro está localizado no centro da cidade, e recebe solicitações para matriculas de educandos que moram em vários distritos e bairros de Porto Seguro, incluído alunos de aldeias indígenas e zonas rurais. Em consequência, existe uma diversidade cultural, econômica e social dentro do mesmo espaço físico. Portanto, para tornar o ensino de geografia mais significativo é necessário contextualizar a teoria e prática. Pérez Gómes, citado por Lerner (1995, p.93): faz uma ressalva ao sentido do termo ensino significativo:

 

 [...] Nem na realidade nem na mente existem conteúdos sem estrutura, nem estruturas vazias de conteúdos. Como afirma Piaget, as estruturas são construídas mediante a estruturação do real. Portanto, para ser significativa e provocar desenvolvimento, a aprendizagem requer que se trabalhe com conteúdos relevantes [...]”



Neste sentido, considero a temática sobre os espaços geográficos atuais de Porto Seguro e o uso de aparelhos e softwares que estão no cotidiano dos educandos, uma abordagem significativa, pois busca informações sobre o lugar onde os alunos moram, “porque é no território que a população constrói a sua identidade e os seus sentimentos de pertencimento onde expressa seu patrimônio cultural e define o seu destino” (Carvalho, 2008). Além disso, é válido ressaltar a necessidade das aulas de campo, porque "geografia de gabinete" só existe para o compilador de dados, como foi dito por Francis Ruellan ainda em 1944. No seu entender, para o pesquisador, o gabinete

 

serve apenas de complemento da investigação no campo que é a fonte viva de toda observação e interpretação nova. Desde a origem da geografia moderna, todos os grandes mestres não seguiram outro método, o único em verdade que pode libertar a produção geográfica do trabalho livresco e do vão palavrório sem base científica e sem nenhuma relação com a vida do Globo. (p.45)

 

É válido informar que o Projeto tem um caráter interdisciplinar, porque o professor ao desenvolver as ações em sua disciplina específica precisará de informações que no currículo tradicional é pertinente a outra disciplina. Segundo Ivani Fazenda a introdução da interdisciplinaridade implica simultaneamente uma transformação profunda da pedagogia, um novo tipo de formação de professores e um novo jeito de ensinar:

 

Passa-se de uma relação pedagógica baseada na transmissão do saber de uma disciplina ou matéria, que se estabelece segundo um modelo hierárquico linear, a uma relação pedagógica dialógica na qual a posição de um é a posição de todos. Nesses termos, o professor passa a ser o atuante, o crítico, o animador por excelência. (FAZENDA, 1979)

 

Nesse contexto, as escolas do ensino fundamental devem dialogar com as transformações do século XXI, visto que, as informações e conteúdos da humanidade estão armazenados em uma rede de fácil acesso a todos, basta conectar um computador, tablet ou celular a internet, e pesquisar os diversos assuntos. Por isso, a educação do futuro deve organizar o processo de ensino e aprendizagem em quatro pilares fundamentais para humanização na nova sociedade da informação.

            Primeiramente, é preciso aprender a conhecer, pois se constitui em meio e finalidade para a vida, segundo Delors (1998), meio, porque se pretende que cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia, pelo menos na medida em que isso lhe é necessário para viver dignamente, para desenvolver as suas capacidades profissionais, para comunicar. Finalidade, porque seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer, de descobrir.

            Outro pilar, é aprender a fazer, para assim, poder agir sobre o meio que o envolve. Além disso, aprender a fazer não pode, pois, continuar a ter o significado simples de preparar alguém para uma tarefa material bem determinada, para fazê-lo participar no fabrico de alguma coisa. Como consequência, as aprendizagens devem evoluir e não podem mais ser consideradas como simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras. (DELORS, 1998).

            O terceiro pilar é, aprender a viver juntos, a fim de associar-se e colaborar com o desenvolvimento da sociedade, já que a educação deve utilizar duas vias complementares. Num primeiro nível, e ao longo de toda a vida, a participação em projetos comuns, que parece ser um método eficaz para evitar ou resolver conflitos latentes. (DELORS, 1998).

            E finalmente, o último pilar é, aprender a ser, caminho que reuni os três precedentes. Para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligenciar na educação nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se. (DELORS, 1998).

            Por isso, nota-se que, a educação do século XXI não é constituída apenas de multiplas formas divertidas ou tecnológicas para entreter os educandos que ficam passivos no processo de ensino e aprendizagem, e sim, um comportamento didático e pedagógico diferenciado do professor com o educando, valorizando o contexto social, o desenvolvimento intelectual, as aptidões e a interrelação do discente com a realidade local e planetária. Segundo Morin (2000) “a educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão.” Porque

 

         O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. Todas as percepções são, ao mesmo tempo, traduções e reconstruções cerebrais com base em estímulos ou sinais captados e codificados pelos sentidos. Daí resultam, sabemos bem, os inúmeros erros de percepção que nos vêm de nosso sentido mais confiável, o da visão. Aos erro de percepção acrescenta-se o erro intelectual. O conhecimento, sob forma de palavra, de idéia, de teoria, é o fruto de uma tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e, por conseguinte, está sujeito ao erro. Este conhecimento, comporta a interpretação, o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor, de sua visão do mundo e de seus princípios de conhecimento. Daí os numerosos erros de concepção e de ideias que sobrevêm a despeito de nossos controles racionais. (MORIN, 2000).

 

Portanto, para a educação do futuro tornar-se significativa deve utilizar os recursos tecnológicos e contextualizar a realidade local com a realidade planetária, além de favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência geral. Este uso total pede o livre exercício da curiosidade, que com frequência a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular, ou, caso esteja adormecida, de despertar. (MORIN, 2000). O desenvolvimento da inteligência geral dos indivíduos “deve ao mesmo tempo utilizar os conhecimentos existentes, superar as separações das ciências em disciplinas hiper-especializadas e identificar a falsa racionalidade.” (MORIN, 2000).

 

 

 

Objetivo Geral

 

·         Pesquisar sobre a diversidade do espaço geográfico atual de Porto Seguro, utilizando as novas tecnologias, para assim, os educandos relacionarem teoria, prática e o novo mundo da informação.

 

 

 

Objetivos Específicos

 

·         Despertar no educando o interesse pela pesquisa, leitura e escrita;

·         Relacionar as novas tecnologias ao processo de ensino-aprendizagem;

·         Dinamizar as aulas no Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano;

·         Trabalhar os conteúdos das disciplinas de forma a relacionar teoria e prática;

·         Realizar a contextualização dos conteúdos;

·         Relacionar Território e identidade, para assim, verificar o sentimento dos educandos quanto ao seu pertencimento ao lugar onde moram;

·         Possibilitar a Interdisciplinaridade entre várias disciplinas do currículo escolar;

·         Proporcionar aos educandos a possibilidade de reconhecerem a si mesmos e aos outros como agentes de transformações do espaço em suas várias escalas, através de ações que favoreça o contato com a sua realidade;

·         Promover a valorização sociocultural em suas várias dimensões: local, regional e global, respeitando a pluralidade cultural;

·         Reconhecer e dominar o espaço geográfico de sua vivência através das aulas de campo;

·         Desenvolver atividades sócio-culturais e educativas com o envolvimento da comunidade escolar e comunidade, visando despertar de uma consciência de cidadania coletiva;

·         Envolver pessoas e instituições que promovem ações sociais sobre a cidadania, meio ambiente, cultura e arte.

 

 

 

Metodologia

 

Tendo como pressuposto teórico metodológico as novas diretrizes curriculares, as ações deste projeto visam à realização de atividades que possibilitam o desenvolvimento de competências e habilidades básicas nas diversas disciplinas. As ações objetivam fazer, de modo coerente, a relação entre teoria e prática. Para isto, utilizar-se-á a pesquisa qualitativa. Segundo Minayo (1995, p.21-22):

 

a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

 

Logo, para ampliar as orientações aos educandos, será imprescindível a participação de todas as disciplinas, porque os alunos serão divididos em grupos de acordo com os bairros onde moram e/ou outros espaços geográficos de interesse, e solicitado uma pesquisa sobre os respectivos bairros, destacando o início do povoamento, os possíveis biomas ainda existentes no local, as relações históricas, sociais, econômicas, culturais e a infraestrutura.

Para os alunos obterem essas informações, será preciso que os educandos com o auxílio dos professores, realizem uma pesquisa bibliográfica, principalmente, autores locais que escreveram sobre Porto Seguro, documentos oficiais das secretarias municipais, e também selecionar informações na internet sobre o tema proposto, fazer entrevistas com moradores antigos de cada bairro, fotografar e/ou filmar os bairros.

 

 

 

Avaliação

 

O Processo avaliativo do projeto será permanente, pois a avaliação visa verificar se as competências e habilidades do educando foram desenvolvidas. Ou seja

 

um processo pelo qual se procura identificar, aferir, investigar e analisar as modificações do comportamento e rendimento do aluno, do educador, do sistema, confirmando se a construção do conhecimento se processou, seja este teórico (mental) ou prático. (SANT’ANNA, 1998, p.29, 30).



 

Para isto, os critérios da avaliação do projeto serão a participação, colaboração, criatividade, organização, originalidade e o interesse dos alunos do ensino fundamental do 6º ao 9º ano no desenvolvimento das pesquisas propostas. Representando dessa forma uma avaliação integral do aluno.

Os resultados esperados são o reconhecimento do espaço geográfico de Porto Seguro e a relação com a teoria e prática por parte dos educandos, para assim, perceber que o território em uso foi formado por um processo histórico que envolve economia, sociedade, política, cultura e identidade.

 

Considerações Finais

 

Este projeto tem o interesse de contribuir para um processo de ensino-aprendizagem interdisciplinar, pois o conhecimento real não é dividido em diversas disciplinas, pois ele é amplo e indivisível, além disso, o contato dos educandos com a teoria e prática possibilita uma aprendizagem mais significativa. Com o êxito dessa primeira experiência, tenho a expectativa de continuidade do projeto, e também atrair mais professores para construir novas propostas inovadoras.

 

 

 

Referências

 

CARVALHO, Lúcia. A cultura como dimensão estruturante das políticas públicas.

In:http://www.secult.220i.com.br/conteudo/programa/sistema_estadual_cultura/downloads

 

DELORS, Jacques (Org). Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez/Brasília: MEC: UNESC, 1998.

 

FAZENDA, Ivani C. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. São Paulo: Loyola, 1979.

 

LERNER, Delia. O ensino e o aprendizado escolar: argumentos contra a falsa oposição. In: CASTORINA, José A.; FERREIRO, Emilia; LERNER, Délia; OLIVEIRA, Marta Kohl de. Piaget e Vygotsky: novas contribuições para o debate. São Paulo, Ática, São Paulo, 1995. p.85-139.

 

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O Desafio do Conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo, Rio de Janeiro: HUCITEC/ABRASCO, 1995.



MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 2ed. São Paulo: Cortez: Brasília- DF: UNESCO, 2000.

 

RUELLAN, Francis. O trabalho de campo nas pesquisas originais de Geografia Regional.Revista Brasileira de Geografia, jan./mar. 1944, p.37-45.

 

SANT’ANNA, Ilza Martins. Por que avaliar?: Como avaliar?: Critérios e instrumentos.3ª Edição, Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.


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